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A cada hora, uma casa é furtada em Curitiba

31.05.2011

A cada hora, uma casa é furtada

Curitiba teve 859 casos de assaltos a residências em março. Furtos ocorrem principalmente às terças e quartas-feiras à tarde. Roubos são mais comuns à noite
Publicado em 28/04/2011 | Felippe AnibalFale conosco

A cada 50 minutos, uma casa é furtada ou roubada em Curitiba. É o que aponta estudo da Coorde­nadoria de Análise e Plane­jamento, da Secretaria de Estado da Segurança Pública, com base nos boletins de ocorrência de assaltos a residências na capital no mês passado. Ao todo foram 859 casos – 697 furtos (quando ninguém está em casa) e 162 roubos (assaltos à mão armada). Em comparação com março do ano passado, houve aumento de 16,5% nas ocorrências de roubo e queda de 5% nas de furtos.

Mais do que estatísticas, o trabalho revela detalhes importantes sobre a ação dos bandidos, como dias da semana, horários e bairros em que os ataques a casas mais acontecem. Quase 50% dos roubos (76 assaltos) foram cometidos à noite, entre 20 e 23 horas. No caso dos furtos, 37% dos casos ocorreram na terça e na quarta-feira, principalmente à tarde. “O furto tem uma característica diferente: o ladrão escolhe um momento em que não tenha ninguém em casa. Por isso, a maior parte dos casos ocorre à tarde e no meio da semana”, explica o delegado Guilherme Rangel, da Delegacia de Furtos e Roubos de Curitiba.

O investigador da Polícia Civil Marco Aurélio Minoto avalia que pelo menos 80% dos furtos a residências estejam relacionados às drogas. “São ações pontuais, cometidas, geralmente, por usuários como forma de pagar dívidas com traficantes, ou sustentar o vício”, argumenta.

Enquanto roubos são considerados ações mais elaboradas, em que os bandidos se preparam previamente para cometer os crimes, nos casos de furto o fator oportunidade é determinante. “O ladrão se aproveita de uma eventual facilidade e comete o furto”, diz o investigador Marco Aurélio Minoto, da Delegacia de Furtos e Roubos de Curitiba.

É o que ocorreu em um edifício no bairro Bigorrilho, vítima de três furtos nos últimos três meses. Segundo o síndico Vinícius Brusaferro Guidio, em todos os casos o crime foi cometido por pessoas próximas a condôminos. “Não eram bandidos comuns. Eram pessoas bem vestidas, que frequentavam o condomínio e que se aproveitavam de informações privilegiadas que levantaram com o trânsito livre que tinham”, afirma.

O último furto, por exemplo, ocorrido no dia 29 de março, foi cometido por volta das 3h40 – contrariando a tendência vespertina –, quando não havia nenhum funcionário monitorando as câmeras de segurança. O ladrão, que seria amigo de um condômino, levou equipamentos de carros do estacionamento e um monitor da portaria. As imagens do circuito interno foram repassadas à polícia e o caso ainda está sob investigação.

Nas duas modalidades de assalto, o fim de semana parece ser menos propício para as ações de ladrões, principalmente o domingo. “Geralmente tem mais gente nas casas nesse dia, o que dificultaria os crimes. Por isso há uma queda dos casos no domingo”, diz o delegado.

Maior risco

Em termos absolutos, os bairros com maior densidade populacional são os que concentram o maior número de furtos e roubos domiciliares. Cidade Industrial (CIC), Sítio Cercado, Xaxim, Boqueirão e Cajuru ocupam as primeiras posições. Mas, quando se compara o número de assaltos ao total de habitantes, despontam no ranking os bairros de Santa Felicidade, Boa Vista, Mercês, Centro e Bairro Alto.

Com base nesse mapeamento, a polícia identificou microáreas – as chamadas “manchas criminais” – dentro de cada bairro em que os ataques ocorrem com maior fre­­quência. Em geral, cada mancha abrange em torno de dez quarteirões, a maioria com residências de médio e alto padrão. “Com essas informações, a polícia colocou equipes nas regiões onde se concentravam os assaltos, nos horários apontados”, contou Rangel.

Desta forma foi descoberta, por exemplo, uma quadrilha que agia no Jardim Social, bairro onde foram registrados sete casos de roubo à mão armada em março. Segundo a polícia, os criminosos não faziam levantamento prévio das casas que seriam roubadas. Eles circulavam por uma microárea nos horários de pico e, quando encontravam alguém entrando ou saindo de casa, rendiam a vítima.

No início de abril, um dos integrantes da quadrilha foi preso logo após uma casa ter sido roubada. Mais cinco envolvidos foram detidos nos dias seguintes. O grupo é apontado como autor de 15 roubos só em 2011 naquele bairro.

Outros bairros como Xaxim, Capão Raso, Bairro Alto, Gua­birotuba e Jardim das Américas também são os mais visados nos casos de roubo.

Rangel destaca a importância do boletim de ocorrência na feitura do estudo. Somente com os relatos oficiais das vítimas na delegacia ou para a Polícia Militar é que as forças de segurança pública conseguem traçar um plano de ação para combater os criminosos.

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